Fotografia e Zen

Esse tipo de coisa é muito difícil de se colocar em palavras e, portanto, de se explicar racionalmente, é aí que entra a arte, para tentar cristalizar o ininteligível.

A arte, se atingir seu objetivo, é uma soma em que no final se tem mais que as somas de suas partes e pode se, através da intuição, aprender um pouco mais sobre a natureza do ser humano e de todas as coisas, pois, outro tema importante no trabalho de Alan Watts, nós nascemos parte da natureza e do cosmos, e apenas com o tempo entramos na ilusão de que somos seres separados e desconectados de todo resto.

Um momento capturado pela câmera fotográfica é na verdade como a parte de um fractal, um reflexo de todo o universo naquele momento e pode fazer com que sejamos arrebatados por sentimentos e uma compreensão do todo muito mais ampla do que antes, nos levando um pouco mais para a mente da criança que naturalmente vive como parte do todo, que não é nada mais do que o objetivo do zen e de toda a arte.     

Imagens do cotidiano

Uma das principais desculpas que dou para mim mesmo por não conseguir fotografar é o fato de que não consigo tirar um tempo para isso. Infelizmente, para alguém que tem a fotografia como hobby e precisa, além de trabalhar cuidar do resto de sua vida isso pode realmente ser um problema dependendo do tipo de fotografia que quer fazer.

Desde a minha infância, sempre adorei exploração urbana. Normalmente de bicicleta ou a pé, saia com meu primo Sérgio em busca das maravilhas escondidas da cidade. Eu me lembro de várias árvores enormes e como era divertido conseguir chegar até a copa e olhar o mundo lá de cima, de pessoas extraordinárias que conheci com histórias fantásticas do passado da cidade de Araçatuba contadas pelo seu Zé e seu galo dançarino, lagos, pomares e tantas outras coisas.

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Eu tento fazer o mesmo quando viajo e tento aproveitar esse espírito quando estou com a câmera na mão. Sempre que me mudei para uma cidade nova eu tirava incontáveis horas para andar sem rumo, mas, tirando um breve período que morei em São Paulo no ano de 2000, eu nunca consegui fazer isso aqui, pois as responsabilidades sempre tem preferência.

Por isso estou tentando um exercício que consiste em tentar achar fotos no caminho diário que faço entre minha casa e o trabalho. Eu tenho certeza que existem foto incríveis esperando para serem tiradas, mesmo que não sejam uma obra-prima, servem pelo menos para criar algo e como exercício fotográfico e também para manter vivo o espírito de exploração da minha infância.

As fotos do texto (precisa clicar no título do texto para ver todas) são alguns dos cliques do primeiro dia, espero que outros possam encontrar esse espírito de exploração na rotina corrida que vivemos e me desejem sorte para que eu nunca me esqueça de manter uma atividade que basicamente me fez ser quem eu sou hoje.